quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

MISSÃO DA IGREJA A LUZ DO REINO DE DEUS – parte 3


Paz! Bom, aqui esta a terceira e última parte do artigo do Dr. Padilla. Tenha uma ótima leitura e reflexão, para o seu envolvimento na missão de Deus na “tua” cidade.

CONCLUSÃO:
1. Tanto a evangelização como a responsabilidade social podem ser entendidas unicamente à luz do fato de, que, em Cristo Jesus, O Reino de Deus invadiu a história e agora é uma realidade presente e ao mesmo tempo um “ainda não”. Neste sentido, O Reino de Deus não é “o melhoramento social progressivo da humanidade, segundo o qual a tarefa da Igreja é transformar a terra em céu, e isto agora”, nem “o reinado interior de Deus presente nas disposições morais e espirituais da alma, com sua base no coração”. (NOTA 10. Destes conceitos, Johnston rejeita o primeiro e aceita o segundo. Como observou corretamente Joachin Jeremias, “nem no judaísmo nem em parte alguma do Novo Testamento encontramos algum exemplo, no coração; esta interpretação espiritualista fica descartada tanto para Jesus como para a tradição cristã primitiva” – New Tstament Theology: The proclamation of Jesus. Londres: SCM Press, 1971, p. 101. Em castelhano: Teologia del Nuevo Testamento. Salamanca: Sígueme, 1974). Antes, ele é o poder de Deus, liberto na história, que traz boas novas aos pobres, liberdade aos cativos, vista aos cegos e libertação aos oprimidos.

2. A evangelização e a responsabilidade social são inseparáveis. O evangelho é boa nova acerca do Reino de Deus. As boas obras, por outro lado, são so sinais do Reino para as quais fomos criados em Cristo Jesus. A palavra e a ação estão indissoluvelmente unidas na missão de Jesus e de seus apóstolos, e devemos mantê-las unidas na missão da Igreja, na qual se prolonga a missão de Jesus até o final do tempo. O Reino de Deus não é meramente o governo de Deus sobre o mundo por meio da criação e da providência; e esse fosse o caso, não poderíamos afirmar que foi inaugurado por Jesus Cristo. O Reino de Deus é, antes, uma expressão do governo final de Deus em toa a criação, o mesmo que, em antecipação ao fim, se fez presente na pessoa e obra de Jesus Cristo. Tanto a proclamação do Reino como os sinais visíveis de sua presença por meio da Igreja se realizam pelo poder do Espírito – o agente da escatologia em processo de realização – e apontam para sua realidade presente e futura.
A necessidade mais ampla e mais profunda de todo o ser humano é um encontro pessoal co Jesus Cristo, o Mediador do Reino. “Deus é o mesmo Senhor de todos e abençoa muito a todos os que pedem a sua ajuda. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Aquele que pedir ajuda do Senhor será salvo”. (Rm 10.12-13, LH). Nesta perspectiva, e somente nela, é possível afirmar que “o serviço de evangelização abnegada figura como a tarefa mais urgente da Igreja” (Pacto Lausanne, seção 6), e o evangelho é boa-nova acerca do Reino, e o Reino é o domínio de Deus sobre sua totalidade da vida. Cada necessidade humana, portanto, pode ser usada pelo espírito de Deus como o ponto de partida para a manifestação de seu poder real. Por isso, na prática é irrelevante perguntar qual vem primeiro, a evangelização ou a ação social. Em cada situação concreta, as próprias necessidades provêem a definição das prioridades.

Se a evangelização e a ação social são consideradas essências na missão, não necessitamos de um manual que nos diga qual vem primeiro e qual vem depois. Por outro lado, se não são considerados essenciais, o esforço para entender a relação entre elas é um exercício acadêmico inútil; tão inútil como tentar entender a relação entre a asa esquerda e a direita de um avião, quando se acredita que um avião pode voar com uma asa só. E quem pode negar que a melhor maneira de entender a relação entre duas asas de um avião é voar nele, ao invés de especular a respeito?

3. De acordo com a vontade de Deus, a Igreja é chamada a manifestar o Reino de Deus aqui e agora, tanto através daquilo que ela faz, como através do que proclama. Porque o Reino de Deus já veio e está por vir;a Igreja “entre os tempos” é uma realidade escatológica e histórica. Se não manifesta plenamente o Reino, isto não se deve a que o Reino dinâmico de Deus tenha invadido a presente era “sem a autoridade ou o poder para transformá-la na era vindoura”, (NOTA 11. Arthur P. JOHNSTON. Op cit., p. 23), mas porque a consumação não chegou ainda. O poder que está ativo na igreja, no entanto, é como a operação do poder de Deus, o qual “exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar a sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado e potestade, e poder, e domínio, e de todo o nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro” (Ef 1.20-21). A missão da Igreja é a manifestação histórica deste poder por meio da palavra e da ação, no poder do Espírito Santo.

4. Por sua morte e ressurreição, Jesus Cristo foi exaltado como Senhor do universo. Conseqüentemente, todo o mundo foi colocado sob seu senhorio. A Igreja antecipa o destino de toda a humanidade. Entre os tempos, portanto, a Igreja – a comunidade que confessa a Jesus Cristo como Senhor e através dele reconhece a Deus como criador e juiz de todos os homens – está chamada a “participar dessa solicitude divina pela justiça e reconciliação em todas as sociedades humana, e pela libertação do homem de toda forma de opressão” (Pacto de Lausanne, seção 5). A entrega de Jesus Cristo é entrega a ele como Senhor do universo, o Rei diante do qual todo joelho se dobrará, o destino final da história humana. Mas a consumação do Reino de Deus é a obra de Deus. Nas palavras de Wolfhart Pannenberg, “O Reino de Deus não será estabelecido pelo homem. Muito enfaticamente, ele é o Reino de Deus (...) O homem não é exaltado, mas degradado quando se torna vítima de ilusões acerca de seu poder” (NOTA 12. Wolfhart PANNENBERG, Theology of the Kingdom of God. Ed. Richard John Neuhaus. Filadelfia: Westminster Press, 1974, p. 91; em espanhol: Teologia y reino de Dios. Salamanca: Síngueme, 1974).


PADILLA, René “A Missão da Igreja à Luz do Reino de Deus”, pág. 117 à 134. “A Serviço do Reino, Um Compêndio Sobre a Missão Integral da Igreja”, Editor STEUERNAGEL, Valdir, Editora Missão Mundial, Belo Horizonte, 1992, 312 páginas.

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